26 de dezembro de 2009

SHORTINHO VERDE AMARELO

é


fogo nos pneus, cacete nas pernas
com seus shortinhos verde amarelos
girando feliz pelas praias da cidade.

Cuidado
VC. já foi filmado
sorria Q amanhã a coisa pega
é
fogo nos pneus, cacete nas pernas
que o subúrbio não grita assim dessa maneira

Ver a fumaça preta subindo pelo cristo de cimento
e as peles misturadas ao sangue
vermelho
sempre
futuro vermelho sempre
que há de varrer essa aquarela desbotada
essa alegria encomendada
esse sorriso estrangeiro


ao acordares, meu amor
verás pelas janelas da cidade
um sonho ensanguentado de felicidade
uma esperança nua, uma palavra igual
ao acordares
sugiro
fogo nos pneus, cacete nas pernas

Ali no aperto da praça, o Brasil se enfeitava para a fotografia, afinal depois da copa de 14 virão as olímpicas de 16 e assim adiaremos qualquer reflexão possível sobre as verdadeiras condições em que vivemos por mais 20 anos. Nós, opressores e seus sonhos metropolitanos rasgando implacável a terra empobrecida e nós, oprimidos, sonhando sonhos que nos são impostos. Sorríamos, estamos prontos o futuro, esse futuro passado que nos alcança por mais que dele tentemos nos desvencilhar...


Ali no aperto da praça, shortinho rebolando poucas e bocas, nas horas nas fumaças, que mais uma festa se faça, sem sonhos, também pudera, viver apenas a farsa da alegria desaproveitada. Somos um país triste, que às vezes se veste alegre, mas é triste, sonhando acordado de zona sul e calote seu destino acanhado e sem delicadezas. Samba o teu shortinho apertado e colorido que nessa praça o trem que não atrasa mata, como as escolas matam, e as avenidas matam. Samba o discurso da copa que o anão de bola é campeão no venceremos e samba nas américas, teu rebolado gringo, esquecido da história e suas lutas.


As olímpicas serão, como a fome nos sinais, à prova de balas. Serão nossas a miséria e a barbárie. O Rio no photoshop, lindo, com suas águas tranqüilas e transparentes, seus verdes, seus amarelos, luzindo, luzindo. O Rio botox nos morros, incêndio nas favelas.

No pensamento siliconado de nossas academias seremos finalistas nas torturas, campeões nos acidentes e nas mentiras, mas continuaremos como se fôssemos eles, enrolando palavras e inventando dizeres, falando como crianças imitando língua estrangeira. Sempre o mesmo sopro colonizado que nos acalentou os séculos. Até quando? Até quando sonharemos apenas esse sonho estrangeiro?

Será mesmo que para ser um bom brasileiro temos de querer a copa de 14 e as olímpicas de 16? Não poderíamos, por exemplo, querer as lutas de 17? Por que não fazer a próxima revolução aqui, em São Paulo, ou mesmo em Belô? ... e vê-la se alastrando pelas américas como sonhou Guevara e nós, com ele. Seríamos menos brasileiros se balançássemos nossos corpos por uma verdadeira vitória conquistada? O que queremos fazer de nossos dias? O que podemos fazer em nossos dias? Se só nos resta sonhar, que se sonhe lutando em plena revolução futura, dançando a vitória coletiva e acreditando num país solidário onde as idéias governem os acontecimentos.


É certo que a vida nos confunde. Como extrair verdades de um mundo que premia com a paz, repetidamente, os senhores das guerras? A quem querem enganar? A nós, a todos nós e é triste ver como se saem bem, como acreditamos no esquecimento, como acreditamos na nossa própria morte como solução das misérias do nosso mundo. O que fazer com essa indignação cansada que vivemos hoje, se não podendo viver comigo também não posso viver sim mim?

é...

fogo nos pneus, cacete nas pernas

*Ricardo Kubrusly

Poeta, Matemático, Professor da UFRJ

7 de março de 2009

Resumo da Monografia de Heitor Ney Mathias da Silva: DA TERRA DE NINGUÉM PARA A TERRA DOS FIDALGOS: O CASO DA VILA AUTÓDROMO.

"A história da resistência popular na Vila Autódromo pode ser dividida em três fases:
A primeira fase vai até 1993. Em 1972 os terrenos que compõem a área foram desapropriados para a construção do Autódromo. Nesse período, a expansão da Barra da Tijuca trouxe para a região um grande número de operários da construção civil. Em conseqüência o número de moradores da comunidade cresce.
O início da segunda fase é em 1993. Nesse ano a Prefeitura do Rio de Janeiro impetra uma ação de desapropriação, alegando dano ambiental, estético e urbanístico. É o surgimento do conflito ambiental.
No mesmo ano, o Governador, Leonel Brizola, inicia uma ação de regularização fundiária para dificultar o despejo. A partir desse ponto, foi estabelecida uma luta jurídica sobre a propriedade da área e sobre as responsabilidades por danos ambientais.
A última fase, inicia-se em 2005. A utilização do Autódromo nos Jogos Pan-Americanos traz o argumento de que a comunidade "polui" as imagens que irão ser veiculadas pelo mundo afora.
Quanto à relevância do tema, hoje, no Núcleo de Terras da Defensoria Pública existem oito processos de retiradas de comunidades com justificativa ambiental.
As áreas são as seguintes: Na Barra da Tijuca: Calmete, Coroado, Dois Corações, Ilha da Coroa e Vila Autódromo. No restante da cidade: Colônia de Pescadores da Ilha do Fundão, Mato Alto e Sacopã.
Os Jogos Pan-Americanos ameaçam desalojar quatro comunidades. Na Barra: Vila Recreio I, Vila Recreio II e Vila Autódromo e uma no Engenho de Dentro.
Entender a resistência da Vila Autódromo ajuda quem está se iniciando na luta pela terra.

28 de agosto de 2006

CORTADO FORA DA BARRA


O Canal do Cortado
em agosto foi cortado
pelas coortes do Estado.

Estado sem honra
Prefeitura sem lei
povo oprimido
por um prefeito
que age como rei.

Corta o coração
ver as casas do Cortado
derrubadas no chão
pelos atos da ditadura
daqueles que comandam
os desvarios da prefeitura

foi em agosto
no mês do desgosto
que o canal foi cortado
por uma Massa S/A
do mapa do Rio
resistem só cinco famílias
com seus destinos por um fio.

Agosto de 2006
Brasil sem direitos
cidadão sem moradia
Prefeitura sem lei.

7 de agosto de 2006

COMUNIDADE

COMUNIDADE é uma dessas palavras que transmitem uma sensação boa: é bom pertencer a uma Comunidade. Associamos à Comunidade imagens de um lugar aconchegante, onde podemos nos refugiar das ameaças que nos perseguem lá fora e de um mundo no qual gostaríamos de viver.
A nossa casa é uma pessoa moral, um grupo capaz de reagir em conjunto quando os seus membros se sentem ameaçados, atingidos por algum infortúnio.
Somos alegres nas celebrações, como nascimentos, batizados e casamentos e tristes nos funerais e com outras perdas.
Para nós, tudo que está no espaço da nossa Comunidade, da nossa casa, da nossa família, é bom, belo e decente. Na nossa casa somos reis e donos, ela nos proteje da rua, onde não somos coisa alguma, pois as leis que governam a rua são diferentes de nossa casa.
A NOSSA CASA É O ESPAÇO DOS NOSSOS CORAÇÕES.
Participe, dê sua contribuição, escreva neste "blog".
Saudações comunitárias e solidárias,
Inalva Mendes Brito.

18 de julho de 2006

O ANALFABETO POLÍTICO


"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato, e do remédio dependem de decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e internacionais."
(Bertolt Brecht).http://geocities.yahoo.com.br/fporj/

17 de julho de 2006

OBSERVANDO O VÔO DOS PATOS.

Quando você vê patos voando em formação de um "V", na Lagoa de Jacarepaguá, certamente fica curioso quanto às razões pelas quais eles escolhem voar nessa formação. Veja algumas descobertas, interessantíssimas, feitas pelos cientistas.

1º Fato:
A medida que cada ave bate as suas asas, ela cria um "vácuo" que serve de sustentação para a ave seguinte.
Verdade: Pessoas que compartilham um objetivo comum, com um sentido de equipe, chegam ao seu destino mais depressa e mais facilmente do que se o fizessem sozinhas, porque elas se apóiam na na confiança e na solidariedade uma das outras.
2º Fato: Sempre que um dos patos sai fora da formação, ele, repentinamente, sente a resistência do ar e do atrito ao tentar voar só, e rapidamente retorna à formação para manter a vantagem do poder de sustentação da ave imediatamente à sua frente,
Verdade: Existe mais força, segurança e coesão em equipes, quando as pessoas vão na mesma direção, compartilham um objetivo comum, do que quando atuam isoladamente.
3º Fato: Quando o pato lider se cansa, ele se muda para trás da formação, enquanto que a ave imediatamente atrás de si assume a liderança, num perfeito revezamento.
Verdade: O revezamento é extremamente vantajoso quando se tem um trabalho árduo, e assim os líderes devem se revezar.
4º Fato: Os patos de trás grasnam para encorajar os da frente a manter o rítmo e a velocidade.
Verdade: Cada um dos que trabalham em equipe necessita ser reforçado com o apoio e o encorajamento para que o rítmo do trabalho não seja quebrado, atingido-se o objetivo comum mais rapidamente, propiciando a vitória de todos.
5º Fato: Quando um adoece, deixa o grupo. Dois outros patos saem da formação e o seguem para ajudá-lo e protegê-lo. Eles o acompanham até a solução do problema, quando então reiniciam a jornada. Se juntam à outra formação, até que encontrem o seu grupo original.
Verdade: Precisamos ser solidários, não só nas palavras, mas principalmente nos atos. Assim, vamos procurar nos lembrar, mais frequentemente, de dar um "grasnado" de encorajamento e nos apoiar uns nos outros com amizade, respeito e lealdade.

(Adaptado da apostila da XXIII Conferência de Serviços Gerais, São paulo, 1999).